13 de dezembro de 2010

Freud explica

Metas, metas, metas. Planejamento para o ano que está chegando. Ora, que baboseira é essa de ano novo? Quem é que inventou tudo isso? Quem é que acredita em tudo isso? Porque eu não posso planejar minha vida sem pensar nesse tempo imperfeito feito por homens imperfeitos e feitos de mar?

Bem, eu não sei vocês, mas EU estou fazendo meu planejamento e meu balanço anual. Isso porque o homem precisa de algum motivo para ter esperança. Ela sempre existiu e nós sempre seremos suas vítimas. Não vou sair falando que não é necessário ter metas de fim de ano – ou serão elas de começo de ano? – porque eu mesmo as faço. E por escrito, ainda por cima!

Nós estamos condenados a imaginar o emprego perfeito, o sorteio da Tele Sena, a promoção daquela loja, o passar de ano, a outra metade da laranja, e o que mais for preciso. Nós nunca seremos totalmente realizados e é de nosso feitio sempre querer mais e sempre batalhar por isso; e quem é que nega que isso é certo? Quem é que não anseia novos planos e novas conquistas? Bem, quem não o faz, pode-se dizer triste.

Porque planejar um dia que vem já é gostoso. Deitar a cabeça no travesseiro e se sentir aliviado por um dia com tarefas que passou e planejar, como que logo em seguida e automaticamente, o dia que está por vir. Porque é nossa segurança acordar e saber o que há para fazer.

Hoje eu acordei de férias. E aí eu pensei: que tem para fazer? Foi aí que eu entrei em pane, porque descobri que meu dia estava altamente vazio e sem grandes compromissos. O que foi que eu fiz? Planejei e busquei o que fazer, pois, mesmo de férias, nossa cabeça está a mil pensando no que vamos almoçar, para quem vamos ligar, o que vamos beber e todas essas coisas triviais que nos fazem bem.

Atire a primeira pedra quem não planeja uma hora sequer do dia. Quem dirá um ano inteiro. Porque esse calendário relativo é o que nos move todos os seus 365 dias e algumas horinhas a mais. É ele que nos faz abrir os e-mails e sentir contente de ter recebido uma mensagem marcando algo para o futuro.

E os historiadores que me perdoem, mas eu acho que o ser humano – no auge de sua insegurança – é o que é graças ao seu futuro e seus planos para o mesmo, não por seu passado. Porque é como o vizinho velho fala: o passado já passou. E eu quero mais é saber de pegar um papel e fazer a listinha de presentes-metas que vou pedir para o Papai Noel.

João Hernesto

9 de dezembro de 2010

Trânsito astrológico

Já me deixei cair em tentação e não me culpo. Ontem eu senti aquele gosto de café açucarado com gosto amargo insuportável no fundo. E, por alguma razão ilógica, aquilo me doeu por dentro. Você foi e sempre será esse gosto amargo depois do doce. Você sempre será esse sabor doce e inconfundível nos meus lábios. Sabor, esse, que me faz sempre sentir falta e que me faz saber que nunca encontrarei igual.

Mariazinha andava feliz em sua calçada. A calçada não era propriamente dela, mas as pessoas costumam colocar os fatos possessivos assim em sua língua. Bem, a vizinha estava a molhar as plantas. Mariazinha se molhou ao passar na frente da casa da moça e ficou feliz por causa disso. Sentiu um imenso prazer e viu que nunca o havia sentido antes, com nenhuma água, de nenhuma praia, cachoeira ou chuveiro. Depois começou a esfriar e Mariazinha se perdeu na rua em que morava – vê se pode. Mariazinha pegou uma gripe muito forte e não conseguiu mais voltar. Morreu na rua, sozinha.

João uma vez disse para sua namorada que a amava, mas ela não acreditava nele. Então ele comprou um lindo buquê com o dinheiro de seu salário mínimo que acabara de receber. É uma prova do meu amor, disse. Mas ela persistiu sem acreditar, porque, para ela, amor não tem nada a ver com o dinheiro que se gasta. Mesmo assim, João persistiu em amá-la, quase em segredo.

Antônio sempre caçoava de sua irmã, que lia seu trânsito astrológico de tempos em tempos. Ele sempre achou baboseira esse negócio de mudança de humor por causa de planetas inúteis. Achava que estava tudo no psicológico: se lá tá falando que você vai ficar triste hoje, você passa acreditar que está triste, e fica, dizia. Um dia ele aceitou um impulso e montou seu plano astrológico escondido. No dia passado havia infrentado uma crise pessoal, e o trânsito - que começara ontem dia – descrevia como se sentira.

José sempre foi um menino forte e nunca chorava quando caía no chão, muito diferente dos outros meninos de 8 anos. Ele sempre caía e caía feio, mas nunca chorava porque sentía-se sempre envolto num escudo, que o protegia. É tudo sempre igual, nunca vai mudar. Eu posso viver e tocar a vida para frente sem me deixar abater por essas feridas bestas. Ele até gostava de comer a casquinha dos machucados. Um dia ele caiu, e não foi feio. Aí ele chorou de soluçar.

Leandro gostava de ler seu trânsito astrológico todos os segundos dias em que eles começavam. Achava que era tudo psicológico se lesse no dia em que começavam. Aí ele comprou um buquê para provar o amor que sentia, mas não foi o suficiente. Ele se molhou e gostou disso, mas depois pegou uma gripe. Um dia ele caiu, e não foi feio, mas chorou de soluçar. Depois ele bebeu café para acalmar os nervos. Café bem docinho, mas o gosto de amargo no final o doeu. Daí ele chorou de novo.

João Hernesto

19 de novembro de 2010

Este texto não vale a pena ser lido porque é clichê

E foi aí que ele sentiu uma alegria tão imensa vindo de dentro. Sentiu uma vasta experiência de vida, um cidadão do mundo que conhecia quaisquer surpresas que este o pudesse tentar pregar.

Pensou que os poetas tinham razão quando falavam das flores, dos campos, das cores, da profusão de sentimentos. Olhou à sua volta e viu cores. Cores e mais cores. Cores brancas, cores leves, cores pesadas, cores tristes, cores alegres, cores vestidas, cores desnudas, cores coloridas. Mais coloridas que ultimamente.

Cheirou diferente. Paladar diferente. Cheiro de campos de morangos bons para comer e cheiro de morangos ruins para comer. Gosto de chocolate amargo. Gosto de água, das que mata a sede. Gosto de água, das que só fica na imaginação.

E assim pensando, saiu sinesteseando o mundo. E o mundo conversava com ele. Era como se uma única energia movesse tudo, numa sincronia adequada e magnífica. Divina. Sincronia quase aterrorizante, de tão perfeita.

Bom dia, meu amor. Bom dia, dona Maria. Bom dia, moça do pão. Bom dia, senhor de begala. Bom dia, menina indo para a escola. Bom dia, pessoal do serviço. Boa tarde, pessoal do serviço. Boa noite, casa. Boa noite, meu amor.

Beijo nos olhos.

Levantou-se um pouco e olhou nos olhos do outro bem profundo. Fez cara de bobo e voltou a beijá-lo. As mãos entrelaçadas durante todo o ato. O gozo entrando. Gemeu de prazer. Gemeu de paixão. Gemeu de vontade de gozar. Gozou. Deitou-se exausto e quis nunca se levantar. Desejou estar sempre ali, naquela companhia, sentindo aquela sensação.

Você me cativou, dizia a todo momento para si mesmo. Às vezes quase chegava a sussurrar, mas não tinha coragem de dizer em voz alta para não soar tolo. Se eu te falar que morreria o homem mais feliz de todos se morresse agora, você acreditaria? Foi beijado.

Passou a Primavera. Pablo Neruda o dizia.

Passou o Verão.

Passou o Outono.

Não passou o Inverno. Ele nunca chegou. O Inverno veio e ele se foi no primeiro dia. Dia vinte e um de junho, se ele não se enganava.

O café ficou amargo e frio. A barba ficou por fazer. Ficou por fazer por alguns meses. Os bons dias não eram mais bons.

Bom dia, solidão. Bom dia, dona Maria. Bom dia, moça do pão. Bom dia, senhor de begala. Bom dia, menina indo para a escola. Bom dia, pessoal do serviço. Boa tarde pessoal do serviço. Boa noite, casa. Boa noite, solidão. Boa noite tortura.

Passou mais uma noite em claro. Dessa vez nem se importou com as olheiras que isso o faria no dia seguinte. Só se deitou e esperou a dor passar. E não passou. Então desistiu da dor. Mas ele descobriu que não podia desistir.

Começou a conviver consigo mesmo. Mas o sigo mesmo não era tão bom. Não chorou. Não riu, também. Bem, ele riu para os bons dias, doas tardes e boas noites. Mas por dentro ele tentava sicratrizar machudados que não paravam de sangrar.

Ele voltou a ver o mundo como qualquer outro. Passou a não acreditar nos malditos dos poetas. Passou a ouvir críticas políticas. Viu jornais sensacionalistas e viu pobreza. Mas nada o atingia. Nada era pior do que sentir a carência de algo que ele sabia o que era.

Depois ele andou pensando que nada era suficiente. Que nenhum sentimento era ideal o bastante quanto aquele que idealizava. Pensou que, na verdade, a vida não é boa. Se eu morresse agora, seria o homem mais triste do mundo. Porque ele queria uma coisa que parecia nunca chegar: a Primavera.

Mas no dia vinte e três de setembro ela voltou. Neruda voltou a dizê-lo. O inverno se foi, ele voltou. A primavera está de volta. Até o próximo Inverno de café amargo e frio voltar. Mas quem é que se importava?

Ele se importava. Ainda assim, quem se importa? Os bons dias ainda serão dados, ainda que não sejam bons. Ora, deixe que o Inverno chegue. E ele vai mesmo chegar.

João Hernesto

5 de novembro de 2010

Mulher barriguda que vai ter menino


Para Alice

Secos e Molhados gritando no rádio à pilha. Ela acordou e sentiu-se especial, pela primeira vez. Sentiu-se acompanhada pela presença mais especial que pode haver em sua vida. Feliz aniversário, amor. Ela agradeceu. Sentiu-se radiante. Não por ser seu aniversário.

Entre os dentes, segura a primavera.

Andou descalça em uma casa que podia chamar de sua. Em um lar que era só seu, de contrução só sua e de seu marido. Foi recebida pelo dia com um beijo de uma boca com bafo matinal. Sentiu-se especial.

Andou por cada cômodo, sentindo seu. Pensou em tudo o que viveu para ter o que tem hoje. Pensou em sua trajetória, pensou nas pessoas que encontrou até hoje. Nas presenças que tocaram seu coração de leve. Pensou nas revoluções que certas pessoas a causaram. Pensou nas primaveras que tocaram sua pele de leve. Pensou nos invernos que tocaram sua pele e queimaram. Nos verões que um dia a fizeram ficar vermelha na praia. Pensou nos outonos que eram insignificantes num país como dela.

Sentiu os pés sujos e se lembrou que a casa devia ser limpa. Não vou limpar, decidiu.

Estou mais pesada que antes. Ao mesmo tempo, sinto-me leve, como leve pluma. Sintiu vontade de sair pulando pelas ruas.

Esse não era um aniversário como outro. Seu presente veio dos céus. Ela havia sido presenteada como ninguém nunca fora. Ela se sentiu única.

Isso porque ela não era só ela. Ela era dois, ou duas. Ela amava alguém que nem nome tinha. Amava carregar em si uma vida. Amava ter a companhia de alguém de que ela nunca vira os olhos, sentira o cheiro, vira a cor da pele, degustara a pele. Amava conhecer, entretanto, cada parte de seu corpo. Amava saber tudo o que poderia estar pensando. Amava o fato de ser alimentadora desse ser maravilhoso.

Olhou para o céu e viu um raio de sol tocar seus olhos, fazendo-a confundir a visão. Sentiu seu filho confundir a visão junto consigo.

Ela tocou o chão e sentiu que seu filho tocava o chão juntamente.

Saboreou um morango e sentiu seu filho fazendo careta do azedume da fruta.

Porque é como se toda sua vida só fizesse sentido agora. É como se ela tivesse, finalmente, entrado no ciclo da mãe natureza. É como se ela visse a verdade sobre o mundo.

E em seu lar, sentiu-se um lar. E em seu mundo, sentiu-se um mundo. E em seu olhar, sentiu-se olhar. E em seu coração palpitando, sentiu outro coração palpitando no mesmo ritmo. Na mesma intensidade. Na mesma sintonia.

E Secos e Molhados cantavam para os dois, com a primavera entre os dentes. E gritavam. E eles gritavam juntos.

E notou o ciclo e a passagem de uma vida. Notou a constância do mundo, e quis viver mais e mais. Sentiu alegria em acordar e ter tantos presentes.

Leandro Augusto.

2 de novembro de 2010

Bento

Acordou sem ar. Soluço de choro. Lágrimas molhando seu rosto sonolento. Virou-se e viu o sonho deitado na mesma cama em que estava. Desejou ter mesmo acordado. Sentiu uma mão o acariciando. Sentiu vontade de cortar essa mão fora. Cortou. Levantou-se, porque aquela cama o matava. A mão a dormir.

Eu preciso de paz, pensou. Eu preciso de alguém que me faça sentí-la. Mas talvez nem eu mesmo a possa proporcionar a alguém. Cansei de me martirizar. Cansei de sofrer e perdoar logo em seguida. Cansei de me preocupar se vou sentir falta de algo. A essas alturas percebeu que a dor da perda, na verdade, já tinha chegado.

Pra quê atrasar? Pra quê empurrar para frente algo que vai vir à tona muitas e muitas vezes. Seja em sonhos sofríveis, seja em uma mente insegura. Não vou mudar, não vou tentar ser melhor. Não vou procurar prendê-lo junto a mim 24 horas por dia. Se quiser outro, procurará.

Acordou a mão. Não posso aguentar sua presença hoje; vá. E foi. E, no fundo, sabia que aquela dor passaria, para depois voltar de novo. E vai vivendo essa inconstância de sentimentos que implodem vez em quando. O que mantém à mente é: qual a frequência desses pensamentos? Será que suporto viver nesse caos?

Acho que não.

João Hernesto.

17 de outubro de 2010

Pseudo-eruditismo


A fila era grande. Todos buscavam, unidos, uma apreciação do conhecimento de outrem. Estavam todos muito ansiosos para ver o que os esperava lá dentro.

A fila começa a andar. Pessoas pulam de alegria. Aquele museu deveria ser a coisa mais importante da vida de alguém. A casa era simples, mas continha muita informação.

Entravam e só vinham o que uma casa comum tem a mostrar: uma sala com TV e sofás confortáveis, um pequeno corredor com duas portas, e uma cozinha branca e irritante.

Uma das portas era a entrada para a biblioteca. Lá estava o dono do quarto, de pijamas, escrevendo alguma coisa em seu computador antiquado. A estante de livros existia.

Bem vindos ao meu portal do conhecimento, disse o anfitrião. Livros de autores famosos. Autores brasileiros e autores internacionais.

Literatura consagrada. Filosofia e teologia consagradas. Livros de estudo científico e acadêmicos consagrados. Revistas consagradas. Arrumação desgraçada.

Era possível ouvir algumas interjeições de espanto e admiração. Todos gostariam de ter um arsenal bibliográfico como aquele: pequeno, entretanto bem pouco vazio.

Pensavam, ele deve ter lido cada um desses livros com grande afinco. Talvez alguns deles tivessem sido lidos mais de uma vez. Ele nem deve ter lido todos, outros pensavam.

Um em meio à multidão pegou um livro para folhear. Havia uma dedicatória na primeira página. O autor era famoso e consagrado. A arrumação, desgraçada.

Os outros olhavam com medo; não sabiam se podiam tocar em alguma coisa. O dono dos livros só escrevia e não se sentia incomodado. Todos pegaram um livro para folhear.

Liam em voz alta e, às vezes gritavam. Berravam e gargalhavam. Todos se divertiam com os livros comprados aos poucos. Os livros comprados e os livros roubados.

Posso pegar emprestado?, um deles disse. Não houve resposta. Ele só escrevia e se gabava por dentro por ser tão admirado.

Abriu a mochila e pegou o livro. Mês que vem eu devolvo, tá? Nada de resposta. Foi embora, deixando a multidão um pouco menor.

Barulho de pessoas abrindo bolsas, mochilas, sacolas e colocando livros e mais livros para pegar emprestado. Ele se gabava por dentro, afinal fazia sucesso seu gosto.

Quando todos já tinham ido embora, ele se levantou para fazer um café. Viu que a estante estava vazia. Nem um único livro restou. Sorriu. Gargalhou depois.

Lembrou-se que a grande maioria não havia sido lida depois da segunda página. Muitos deles tinham sido comprados só para mostrar mesmo.

Ele sorriu. A arrumação era desgraçada, mas os livros eram consagrados, a multidão espalhou aos quatro cantos.

No dia seguinte, uma fila se formava. Eram as mesmas pessoas para devolver os livros. Muito boa a primeira página desse aqui, comentavam.

João Hernesto.

3 de outubro de 2010

Náuseas

Tenho tido muitos sonhos eróticos. Com homens, com mulheres. Posso dizer que todos eles me fizeram muito feliz em minha fantasia. Durmo pensando em alguém específico – e nem sei em qual dos dois deixo-me pensar mais – e acordo com a cueca molhada. O pênis pede mais na realidade, a cabeça está exatamente satisfeita.

Tive uma terrível semana.

Na segunda, tive vontade de me envolver numa bola de energia lilás e sentir-me protegido. Não me senti. Bem, eu só senti peso nas minhas costas, sobrancelhas tensas e nunca relaxadas, cabeça a mil.

Na terça, a dor era um pouco menor. A bola de energia lilás me envolvia lentamente. Eu a deixava envolver-me lentamente. Primeiro os pés, depois as pernas; ela parava um pouco no quadril, e, de súbito, um impulso a empurrava para cima de novo; continuava a subir: envolvia minha barriga, meu tórax, meus ombros, braços e mãos. Quando chegava ao pescoço, prestes a envolver minha cabeça, ela parou. Não conseguiu, pois uma outra energia a puxava de volta. Era uma briga bem competitiva. A energia que já me habitava o pensamento ganhou. A bola de energia lilás desistiu e foi embora. Dormi com o corpo todo pesado.

Quarta-feira eu acordei com uma felicidade tão grande no coração. Bem, meu dia foi ótimo. Bebi sozinho nesse dia. Voltei para casa ébrio. Mandei uma mensagem ébria. Dormi ébrio.

Acordei na quinta míope. Não conseguia ver um palmo à minha frente. Não podia tomar decisão alguma. Uma ligação. Confusão. Doía aqui dentro. Vamos tomar vinho barato na São Pedro? Aceitei. Confusão. Sintomas de paixão súbita.

Na sexta, havia alguém do meu lado na cama. Uma felicidade inconsequente. Passei a manhã estudando coisas não-acadêmicas. Pela tarde, dormi. Meu primeiro sonho erótico da semana, que foi mais pro romântico que erótico. Mãos entrelaçadas, carinho no rosto. Olhos verdes. Suspiros apaixonados. Órgãos sexuais se cruzando. Ato sexual sem culpa, pela primeira vez. Situação nem um pouco reiterada. Acordei me lembrando de um compromisso no qual não compareci. Fui dormir me sentindo mal.

Acordei com alguns raios de sol penetrando minha janela. Ânsia me abatia. Posso suportar. Não posso suportar. Corri ao banheiro e vomitei a janta de ontem. Durante a aula da manhã, pedi licença aos meus alunos e vomitei toda a água que havia tomado. Pressão baixou. Tempo insuportável. Eu suava frio, sentia ânsia, mal me suportava de pé. Coloquei sal debaixo da língua. Senti-me bem melhor. Voltei para casa e dormi a tarde toda. Acordei com vontade de vomitar. Acordei com vontade de um carinho dos novos, não me sentia mais apaixonado pelo carinho antigo. Vontade de sair, vontade de encontrar os olhos verdes. Fiquei em casa procurando algo que comesse e não me despertasse ânsia. Comi.

Nessa noite, dormi feito um anjo. Fiz sexo com alguém com quem já havia feito nos sonhos. Foi ótimo. Tinha um gosto de segredo. Foi muito bom mesmo. Acordei melecado. Preciso comer um sanduíche natural feito por mim mesmo. Comi e tomei um café bem forte.

Estou me sentindo bem melhor. Quero os olhos verdes agora.

Leandro Augusto.

28 de setembro de 2010

Sociopatismo


O suicídio é uma saída. Narcolepsia social também. Essa chuva batendo no telhado de casa. Esse brilho que a água faz quando cai na minha mochila. Essa preguiça de sair de casa. Esse medo de sair de casa. Esse medo de se machucar. Esse medo de cair no chão assim que pisar o pé direito na calçada. Esse medo de sair de casa.

Vontade de cometer um crime hediondo. Vontade de assistir a Vincent. Vontade de ler Poe. Vontade de explodir meus miolos na praça mais frequentada da cidade.

E essas palavras que não saem. Esses pensamentos não concretos que só vivem no plano das ideias. Essas ideias que viram ideais. Essas fantasias postas na realidade. E na fantasia eu sou feliz. E na fantasia eu também posso ser triste. Mas não sou o meio-termo, sou muito triste ou sou muito feliz. Ultimamente ser muito triste tem-me atraído mais.

Música calma. Voz aguda rouca. Voz que dá sono. Chuva que dá sono. Narcolepsia social me vem à mente e não sai. Idealizações minhas que só minhas são. Idealizações minhas.

Colo.

Pedido desesperado. Férias. Dezembro gelado. Chuva para lavar a calçada. Alagamento.

Quando a chuva começa a alagar, bem antes de ser prejudicial às pessoas, eu quero ver o caminho que ela percorre. Quero ver as imperfeições das construções pouco niveladas dos homens. Gosto de ouvir o barulho da chuva correndo pelas calçadas caladas. Gosto de ficar calado de vez em quando. Gosto de mostrar-me feliz quando estou triste. Gosto de gritar e só gargalhar. Mas hoje não. Nem ontem. Nem amanhã.

Hoje é narcolepsia social, porque Narciso não me deixa trilhar a opção de um suicídio. Mas quem sabe um assassinato. E será que eu estou mais para o neurótico ou para o psicótico?

Sociopatismo.

Leandro Augusto.

19 de setembro de 2010

Vide


Lá estava ela. Deitada. Linda. Belíssima. Estava ouvindo música e eu imaginava que música estaria a ouvir. Sei lá, não importa. Ou importa tanto que eu talvez queira saber que música é.

- O que você ouve?

- Ouço o que me agrada.

- Você é muito bonita. Não pude deixar de te notar no dia em que te vi pela primeira vez.

- Obrigada. Você também é linda. Seus seios devem ser lindos fora do sutiã.

- Quer ver?

- Sim.

Depois de imaginar um diálogo, voltei a pensar o que ela estaria ouvindo. O que ela estaria pensando. Em quem ela estaria pensando. E aquelas pernas grossas de quem mata qualquer um na hora do sexo. E aqueles seios voluptuosos que pareciam ser mais macios que qualquer um que meus lábios já provaram. Os lábios eram carnudos, mas pareciam ser um pouco flácidos. Lábios flácidos, isso é engraçado. Cabelos jogados no chão onde estava deitada. Madeixas loiras. Não gosto de loiras, mas aquela loira alta me chama atenção desde que a vi.

Ela se sentou. Seus olhos se voltaram para mim no mesmo instante. Uma distância de alguns poucos metros nos distanciavam. Eu tomava café. Ela tirava os fones de ouvido enquanto eu dava um gole no café fraco que eu comprei há poucos minutos, mas já estava frio. Nós nos olhávamos sem parar. Nós estávamos sozinhas e o barulho dos gritos das pessoas felizes não nos atrapalhava nem um pouco.

Permaneceu sentada e observando que não havia ninguém do meu lado, como costumava acontecer sempre que nos encontrávamos. Ela estava desacompanhada também. Era o momento preciso para conversarmos. Vou me levantar e ir a sua direção.

Levantei-me. Joguei fora o copo descartável sujo de resto de café açucarado. Voltei-me a ela e não encontrei coragem para seguir em frente. Voltei ao lugar onde me encontrava. Ainda estava quentinho. Ela olhava. Eu olhava para o chão, envergonhada.

Quem se levantou agora foi ela. Veio em minha direção e perguntou que horas eram. Disse que era hora de nós conversarmos. Tudo bem, disse ela. Conversamos a tarde toda e, no fim, demos um caloroso beijo.

Bem, ela, na verdade, levantou-se e foi em direção ao bebedouro encher a garrafinha de água que tinha em sua mochila. O bebedouro a tomou um tempo razoável para se decidir vir conversar comigo ou não. Vou conversar com ela, pensou.

Veio em minha direção, eu olhava o chão. Ela é ainda mais bonita envergonhada, pensou. Enquanto chegava perto, transpirava. O coração batia forte. A curiosidade para saber o tom de minha voz tomou conta dela. Estava decidida.

Eu a olhei e arregalei os olhos. Ela sorriu. Olhou para o chão para ver se não iria cair, porque sempre achou que cair num primeiro encontro não era a coisa certa para se fazer. Reparou meu sorriso em recompensa ao dela. Meus dentes brancos e perfeitos. Viu meus olhos pequenos pelos óculos fundo de garrafa. Meus cabelos nos ombros que me faziam parecer mais lésbica que qualquer outra. Olhou para meus seios e reparou que meus mamilos estavam arrebitados. Ela está excitada comigo, pensou.

Quando chegou a pouco mais de dois metros perto de mim, eu disse oi. Ela se virou, arrependida e envergonhada. Sorriu, dizendo tudo bem depois. Foi em direção à sala de estudos. Não vou conseguir estudar, pensou.

Eu fiquei desapontada com a situação. Mas sorria sem poder me conter pela felicidade de ter trocado uma palavra com ela. Amanhã eu a chamo para conversar depois do bandejão, pensei eu. Amanhã a chamo para conversar no intervalo, pensou ela.

Leandro Augusto.

Reiterado


Andei lendo os dois últimos textos que escrevi e gostei mais do que quando os escrevi. Foram eles grandes vômitos do que eu não estava sentindo, mas do que eu queria que pensassem que estava acontecendo dentro de mim. Bem, hoje eles fizeram mais sentido que quando os escrevi – ou vomitei.

Um deles fala sobre um término de relacionamento repentino, o outro é pequeno e simplesmente fala de estereótipos colocados por razões não-verbais, mas visuais óbvias. Ora, que mais eu estava sentindo senão isso. As coisas aconteceram e esses textos, na verdade, falavam o que eu sentia. Por mais que doa.

As coisas estão todas se reiterando de forma tão clara para mim que chega a doer. Mas dói no primeiro segundo de pensamento; no segundo elas vêm de forma natural. Natural mesmo. E esse período de mudanças tem se revelado bem mais fácil que nunca se revelaria. Isso é bem esquisito, só não sei se mais para o lado positivo ou para o negativo da palavra.

Pele, sexo, respiração, dor, prazer, arrepio interior, vontade, querer, desejo, repelente, suavidade, voz, chocolate, presente, filme, não assistir, pipoca, refrigerante, cerveja boa, cerveja não tão boa, cigarro, trago, respiração, dor, prazer, arrependimento, pudor, nem um pingo de pudor, pele. Tudo volta como se fosse normal. Tudo volta como as estações do ano voltam e nós sabemos que voltam. Mas essa metáfora eu já usei em outro texto.

Sinto falta de escrever assim. Mas acho que já me cansei de escrever assim. Vou correndo escrever meu próximo conto.

João Hernesto.

5 de setembro de 2010

Eu-lírico: eu mesmo

O cigarro está acabando. Melhor eu descer para comprar mais. Mas, antes, preciso falar com você sobre nós dois. Pra falar a verdade, nem sei como começar. Gosto de grandes discursos, com introdução, desenvolvimento de ideia, argumentação e conclusão, mas acho que vou começar da conclusão. Não quero mais esse casamento. Ele me faz mal. A cidade me faz mal por causa desse casamento. Eu já perdi um irmão aqui por simples injustiça dos limitantes, e eu nem me lembro mais dessa história porque perdi o texto que escrevi sobre isso. Mas eu não acho que não goste mais de São Paulo por causa disso. Não gosto de São Paulo porque passo por todos os lugares em que fomos felizes juntos e me lembro que não te amo mais. E não te amar mais me faz mal. Não sou insensível, mas não quero mais ser tão sensível. Preciso pensar em mim mesmo, preciso de um egocentrismo que só eu posso conceder a mim mesmo. E eu realmente não sei por que não te amo mais, só deixei de te amar, porque não quero mais levar essa vida que tenho levado. Já não me dá mais prazer ensinar o português para crianças retardadas, não aguento mais preencher diários de sala, fazer reunião de pais, não gosto mais de linguística. Achava que fosse uma grande crise se passando dentro de mim, mas isso vem me matando nos últimos 3 anos. E você? Bem, você já não me excita mais e eu já não aguento mais te ouvir gemer e fingir um orgasmo porque você não faz isso bem. Não quero mais te ver reclamando que tem que lavar, passar, enxugar, cozinhar e tantas coisas mais. Não quero mais ter que chegar em casa e me deparar com um lugar irritantemente limpo e uma esposa morta no sofá da sala assistindo à novela. Não quero mais isso para mim. Acabo de pedir demissão e deixar a escola pelos ares por não ter ninguém para me substituir. Não vou receber o salário desse mês, porque estou de saída, aliás, estou de mudança permanente. Vou para as Minas Gerais encontrar paz, se é que elas me vão oferecer isso. Você pode ir buscar o dinheiro amanhã na escola, com a Vânia. Diz para ela que não tem notícia de mim. Vou descer e comprar um cigarro, não volto mais. Não preciso de roupas limpas, obrigado. Comprarei qualquer coisa que me sirva. Adeus.

Não comprei cigarro algum, porque, naquele dia, eu parei de fumar.

João Hernesto.

O menino de volume avantajado nas calças e a menina com o cigarro nas mãos

E ela olhou para o menino de volume avantajado nas calças e pensou “poxa vida, mas que volume avantajado em suas calças”. E ele olhou para a menina com um cigarro nas mãos e pensou “seus pais nem devem desconfiar que ela fuma sem ao menos tragar”.

João Hernesto

29 de agosto de 2010

Café açucarado com açúcar amargo


Uma coisa que me deixa muito feliz é café. Café forte, não café de roça. Café fraquinho, dizem eles. Ora, café é amargo mesmo, deixemo-lo ser. Mas o açúcar eu não consigo dispensar. De amargo já basta a vida, dizem eles. Minha vida é amarga e faço questão que o café também o seja. Mas açúcar, por favor.

Outro dia ela me chegou e disse que meu café era muito amargo, que ela não gostava dele assim. Não tome, respondi. Simples assim. E não me palpite o café. Depois disso, beijou-me com gosto de café forte. Sexo com gosto de café, e posso dizer que o café me satisfez mais. Não que não goste de sexo, mas café é mais amargo, e, meu amigo, de coisas melosas já me basta o amor.

Você não consegue me amar, disse ela. Não, respondi. Enquanto tiver meu café não precisarei de você. Por hoje você está liberada. Ela chorou uma lágrima silenciosa do lado direito. E sorri - achei graça, sei lá. Foi-se sem gosto de café na boca. Eu fiquei, com gosto de café adoçado na boca. Gargalhei de modo que ela me sorriu lá fora, fechando o portão.

Um dia eu tomei tanto café que meu mijo ficou com cheiro de café. Aí eu tomei meu próprio mijo. Mentira. Gargalhei agora imaginando a expressão chocada de meu leitor. Deixo essa parte nojenta para o João Hernesto.

Uma semana eu comecei a acostumar meu paladar para tomar café só sem açúcar. Não durei mais do que na quarta-feira. Gosto de amargo, mas de amargo já basta a vida.

Tive uma namorada por um dia. Terminei na hora em que descobri que ela tomava café sem açúcar; não pude suportar o fato de que ela era mais corajosa e apreciadora de bom café que eu. Uma outra com quem nem cheguei a dar uma lambidinha tomava café com adoçante. É para emagrecer, dizia. Pois emagreça longe de mim, sua piranha fútil, respondi. Ela se foi dizendo palavras de baixíssimo calão, como desgraçado, filho de uma égua, vai se foder, viadinho da porra. Gargalhei para ela ouvir do portão.

Hoje de manhã fui surpreendido com um café da manhã na cama. Não havia café, havia chá. Ela dizia que estávamos na Inglaterra, deveríamos tomar mais chá. Virei a bandeja em cima dela. Chá é para maricas londrinos, não sou marica nem londrino. Sou é macho. Mas, um momento, eu sou de Londres!

É por isso que gosto de Paris.

Leandro Augusto.

24 de agosto de 2010

Podridão (não) assistida


E de alguma forma aquilo me lembrava aquele tempo de tristeza. Aquele tempo de podridão. O cachorro se contorcia no chão, deixando, dessa forma, comprometidos seus ossos sobressaindo à pele. Mijo, bosta, baba, vômito e muita vontade de interromper de uma só vez aquele sofrimento.

Ele estava morrendo enquanto uma plateia o observava como que fugindo do dia-dia, da rotina e dos compromissos. Não é todo dia que passo no centro da cidade pela manhã e encontro um cachorro a morrer, diziam. O cachorro se contorcia. A plateia observava atenta.

Sangue vermelho. Muito sangue. Sua boca já não mais mostrava os dentes quase brancos de nada comer. O sangue tapava qualquer branquidão que pudesse ser aparente. Os corajosos ficaram.

O cheiro ruim subia mais tarde do que esperavam. Eu observava atento. Sentia nojo daquele cachorro. Não tinha vontade alguma de ajudar, chamando algum especialista. Queria vê-lo morto com a língua para fora. Infelizmente demorava mais do que eu pensava que fosse demorar.

Alguns começavam a ir, não só pela demora, mas pelo grande tempo que aquele cachorro os tomara e ainda poderia tomar naquele dia. As desculpas aos chefes começavam a ser planejadas.

Ele morreu, alguém disse. A multidão aumentou desproporcionalmente. O cachorro estava de língua de fora, como muitos presumiam. Um grande silêncio se instaurou por um longo minuto. Pobrezinho, uma dona de casa deve ter falado. Eu não mexia um músculo.

Quando todos já tinham ido embora, somente eu continuava lá, pois havia me esquecido de qualquer compromisso ou horário. Não havia nada a ser feito o dia todo, eu poderia fitar o cachorro quanto quisesse. Pessoas passavam rapidamente à minha volta. Alguns olhavam, outros conversavam ao telefone. Alguns falavam baixinho, alguns berravam exigindo relatórios.

O mau cheiro só aumentava. Ninguém me parou para perguntar nada o dia todo. Eu não chorava. Eu só fitava. Quando o mesmo povo voltava do trabalho para casa, eu continuava ao lado do cachorro, fiel como só.

Agora já era tarde e a rua estava bem vazia. Tudo bem, pode se levantar, eu disse para o cachorro. Bom show, completei. Mas o cachorro não se levantou. O cheiro se tornava insuportável à medida que minha paciência ia se esgotando.

Cansei de esperar. Fui embora logo depois, pois aquela cena era bastante perturbadora.

Pouco tempo depois, o cachorro se levantou, limpou as excreções liberadas durante o show e foi para debaixo da ponte. Preciso de um filé, pensou.

João Hernesto.

20 de agosto de 2010

Evil I

Há coisas que não precisam ser ditas. Há coisas que são ditas no silêncio. Não digo de frases ditas no silêncio de um olhar, isso me soa deveras piegas. Digo de coisas que são ditas nas entrelinhas, daquelas coisas que são óbvias demais para serem ditas. Acho que a gente acabou por aprender a ser claro demais, deixamos de ser interessantes. Sim, porque o que é interessante é aquilo que nunca mostra tudo, é aquilo que sempre vai deixar um mínimo de curiosidade. Mas aí já acho que fugi do assunto.

E por algum motivo que não sei dizer, uma frase me vem a mente: “Matei um velho”. Edgar Alan Poe disse isso, mas não disse exatamente isso. O fato é, o moço matou o velho do Evil Eye (ou seria Evil “I”?) só por causa dos olhos. Ele não aguentava viver com aqueles olhos malignos – como aparece na tradução para o português. Então, matou o velho, que não tinha nada a ver com a história.

Eu já cometi um assassinato uma vez. Foi bem legal. Uma experiência que eu tenho vontade de repetir. Mas isso não vem ao caso.

O que eu realmente tenho vontade de fazer é explodir um prédio inteiro com pessoas dentro. Só que eu queria que essas pessoas tivessem a ver com a história só para provar para os alheios o meu ódio por elas. Só para provar o gosto de matar um inimigo oculto. Eu daria um jeito de organizar todos eles numa grande festa, uma festa à fantasia – porque é a minha predileta. Daí eles entrariam num grande salão que traria uma bomba escondida. Beberiam muito, comeriam muito. Seria uma orgia: nos banheiros, um homem e uma mulher para chupar os convidados. E esses chupadores seriam escolhidos a dedo. Teria a melhor música tocando. Quando todos estivessem bêbados e cansados de gozar, a bomba explodiria seus miolos ébrios. Que divertido!

Mas aí eu já mudei de assunto.

Como eu dizia, o silêncio é a melhor saída, sem dúvida nenhuma. Agora vocês provavelmente pensem que sou um louco sociopata que fica na espreita a montar um plano maléfico. Além do mais, não é preciso dizer isso pois é o que acontece, de fato. Que ótimo, agora ninguém mais vai querer participar da festa de encerramento.

João Hernesto