26 de setembro de 2009

Das Crenças

Ele se sentou naquele chão por onde pés que habitaram a terra no século XVII haviam passado sobre. A noite estava um bocado fria, mas estava propícia para a filosofia e para religião. Ele já sabia que aquela velha história de “Deus criou o homem à sua imagem e semelhança” era papo furado. O homem cria – não criou – seu próprio deus à sua imagem e semelhança; ninguém acredita no que não lhe faz sentido. Ninguém ora, reza, ritua sem acreditar que aquilo seja a escolha certa, que seja exatamente aquele deus que lhe cai bem.
Ele olhou à sua volta e enxergou, dessa vez ele enxergou. As folhas das árvores cantavam e faziam um som engraçado quando se misturavam ao coaxar dos sapos. Os pássaros não estavam lá, mas ele os via plenamente dormindo e descansando em seus ninhos construídos com natureza. Ele enxergou o verde brilhando, aquele mesmo verde de Jorge Mautner, só que agora fazia sentido aquela linguagem poética toda. Viu o sereno pedindo licença para entrar; a noite dizia: “seja bem-vindo”.
Ele enxergou a Lua. Lembrou do que tinha lido. A Lua é a deusa, ela é a responsável pela criação desses elementos que havia misturados naquela noite fria e confortável. Ela – a leitura, não a lua – o fez abrir os olhos para enxergar as salamandras e os duendes. Eles são os guardiões, eles são aquela energia negativa que alguns de nós sentimos quando gastamos horas no banho. Esses guardiões da natureza e dos quatro elementos são quem nos dão o remorso de usarmos a natureza como matéria-prima para sustentarmos nosso gozo de um mundo capitalista, para sustentarmos nosso vício de conforto – o caminho mais curto para ele.
Ele enxergou a Lua.
Ele enxergou o Sol, lá no fundo. Ele esperava na espreita a hora de se encontrar com sua amada; ele viu o sexo dos dois um pouco mais tarde, quando eles de encontraram. Ele viu a Lua prenha, ele viu o Sol a penetrando. Ele enxergou tudo isso.
Enxergou as estações do ano mentalmente. Porque a ciência nos faz pensar que tudo acontece por causa de sua explicação pautada no empirismo?, pensou. Porque os elementos não podem explicar? Porque a Lua e o Sol não podem ter relação direta com isso? Se eu quiser falar de Tor, com seu machado, eu posso? Se eu acreditar que não chove no inverno porque Tor está sem seu machado nessa época, eu posso? Permitir-me-ão?
Ele pensou tudo isso.
Quero fundamentar minha própria tese de vida. Minha religião, minha crença maior. Quero justificar a minha existência com mitos que fazem todo o sentido só para mim, para mais ninguém. Afinal, quem é que disse que a bíblia faz sentido? Nenhum para mim. Quem disse que o Corão é sensato, ou que Kardec tinha razão? Ninguém pode afirmar que sua religião é a certa, apesar de muitos o fazerem. O que importa é crer que há algo que é maior e que está por trás das coisas desse mundo. Espiritualização é a resposta.
Ele pensou em tudo isso.
Depois, ele enxergou a Lua e o Sol, numa penetração esplêndida.

João Hernesto

Secos e Molhados e sentimentos a que me remetem

Essa é a única frase, propriamente dita, deste texto!

Sono. Adormecer. Sonhar. Flautas. Vozes. Secos. Molhados. Alice. Imediatamente. Agudos. Gritos. Berros. Primaveras. Dentes. Alice.

Sono. Acordar. Berros. Primaveras. Alice. Imediatamente.

Alice. 2008/2. Calouro. Da vida. Alice. Mentora. Da vida. Música. De qualidade. Poesia. De sono

Acordar. Sono. Agudos. Alice. Mentora. Berros. Filosofia. Alice. Mentora. Sono.

Preciso. Acordar. Para. Escrever. Um. Texto.

Fim. Sono. Silêncio. Acordado.


Leandro Augusto

13 de agosto de 2009

Os sons de Mariana

Constato primeiramente a natureza e o propósito deste texto: poética, simples e puramente. Portanto não espere você, caro leitor, um texto jornalístico propriamente dito; espere, sim, um poema difícil de ser interpretado.Mariana é um lugar bem peculiar - falemos primeiro de um modo geral. Para as pessoas que não sabem, eu não sou daqui, e não tenho muito orgulho em falar que vim de uma cidade grande. Na minha cidade (não no sentido de posse) a característica mais marcante: caos. Há muito o que subentender à essa palavra, tal como pontualidade, esquema, horário, atraso, horário, encontros, trabalho, horário, escola, faculdade e horário. Já Mariana eu vejo uma palavra que também subentende muitas outras, mas deixo livre para o meu destinatário fazer sua interpretação à sua maneira: paz. (ponto)Se pensamos no caos de minha cidade, imaginamos logo de cara um só som: buzinas. Sim, basicamente. Acontece que esse som aliado a barulho de motores de automóveis e motocicletas remete-me a um cheiro específico: fumaça automobilística. Desculpe você a sinestesia.Agora analisemos paz. Você deve estar a pensar nalgum som da natureza e dos campos, também é uma visão certa. Mas para mim, aliado ao cheiro de verde (a boa e velha sinestesia), Mariana me vem com um som de maracatu. Mariana é ouvir as aves (dos galos que são meus vizinhos aos pássaros que cantam em meu telhado) e descansar. Mariana é andar pela rua sem pressa no caminhar e na expressão facial. É não franzir a sobrancelha por algo que não seja confusão por tentar decifrar algum som. Andar por Mariana é estar pronto para ouvir as aves que ouço em casa, é ouvir os macacos do jardim do ICHS, é ouvir o barulho do vento da Gomes Freire, é ouvir um ensaio de maracatu. Olhar para as montanhas que Mariana nos permite é estar pronto para ouvir maracatu de fundo. Não é maravilhoso?E falando em som saído dos humanos, andar por Mariana durante a noite é estar pronto para ouvir o som dos carros tocando funk e continuar andando para ouvir a musiquinha ao vivo de bar do Casarão e do Taberna. É andar mais um pouco e ouvir um blues no Scoth. É passar na praça Minas Gerais para assistir ao show da Fernanda Takai ou da orquestra da animada polícia da cidade no Festival da Vida. É querer ouvir Angu Feijão e Couve, é se permitir ouvir um samba e um axé no carnaval. É ouvir alegrias.Morar em Mariana é querer sinestesia.Espero que o leitor nativo tenha se encontrado nesse texto de um mero estudante vindo de uma cidade grande e acostumado com rotina caótica. Estudante esse que mora em Mariana por um ano, mas que já ama as sensações mistas que ela lhe propõe. “E quem há de negar que esta lhe é superior?”

Leandro Augusto

1 de agosto de 2009

Do crescimento pessoal e da interação com o mundo profissional

Eu não sei quem foi que disse que eu sou corajoso. Não o sou! Às vezes eu sinto vontade de voltar no tempo para ter 12 anos de novo. Naquele tempo eu não tinha preocupações, só devia fazer minha única obrigação: estudar.
Tem dia que eu sinto que preciso de colo. Tem dia que eu simplesmente quero deixar tudo na minha nova vida, na minha vida de gente grande, e só ser criança. Só chegar em casa e dizer: “Mãe, me dá dinheiro para eu comprar um doce na esquina?” Administrar o próprio dinheiro é muito difícil!
Crescer é bem difícil, aliás. Trabalhar e mudar de emprego é difícil. Não devo ter raciocínio lógico o suficiente para conseguir comparar a situação em que me encontro e a situação em que poderia me encontrar. Aquele clichê não me sai do pé do ouvido (não troque o certo pelo duvidoso), mas por quê?!
Hoje eu quero ser criança, isso é tudo. Há muita mensagem subentendida para mim por trás dessa frase.

Leandro Augusto

29 de julho de 2009

“(…) how much I love you.”


Então ele fechou os olhos.
Eles se deitaram na cama de solteiro, como costumavam fazer durante as noites e as manhãs que podiam passar juntos. “Eu senti sua falta”, disse. “O amor não se descreve, sente-se” o outro respondeu.
Eles deitaram-se um de frente para o outro e, como quem interrompe algo, suas pernas se encontraram, interrompendo, assim um olhar que parecia ter durado uma eternidade no relógio dos amantes.
Pernas, pés, mãos, braços, troncos, olhos, lábios, línguas, bochechas, dentes, unhas, barrigas, umbigos, pênis, nádegas eles eram. Toque eles eram.
O que estava à esquerda se levantou mostrando, assim, um corpo de praia. Um corpo de garoto crescido. Ele subiu em seu corpo, e manteve os lábios não muito longe dos outros lábios. Eles se olhavam, só queriam se olhar. Agradeciam por poderem se olhar naquele momento.
“Amo-te”, disse o de cima. E o de baixo não respondeu nada verbalmente. Ele disse com os olhos. Disse com um leve sorriso que deixou aparecer.
Uma lágrima caiu sobre seu rosto, de modo que ele não expressava dor alguma em sua face, não expressava força nem mesmo friccionava as maças do rosto ou as sobrancelhas. A lágrima simplesmente caiu, como cai um pássaro quando está a aprender a voar. Caiu assim como cai fruta madura do pé, pesada. Essa lágrima disse “Eu te amo”.
Pouco depois um som começava a sair sem muita força de sua boca emocionada: “Seu diabo”, sussurrou. O de cima sorriu e depois riu. “Eu senti sua falta”, “Eu também senti a sua”.
“A sua carta me fez chorar”, “Também me fez”.
Nesse momento ele abriu os olhos e notou estar sozinho novamente. Secou a lágrima que correra de seu rosto e ele não percebera. Aconchegou-se em sua cama de solteiro.

João Hernesto

24 de julho de 2009

Quem são os Beatles?


- Ainda bem que voltamos, que não entramos em casa. Pelo menos a inspiração veio que nem vem o cachorro quando seu dono chama – me pareceu um comentário totalmente inútil, mas foi pertinente, já que resultou nesse texto que o leitor (vossa senhoria) está prestes a ler.
As ruas estavam bem cheias. A praça da cidade nem se fala. Mal posso arriscar contar quantas pessoas estavam presentes naquele show de meia tigela. Nós havíamos acabado de deixar o teatro e resolvemos infiltramo-nos em meio à plateia assídua. Ele escutava com suas mãos na cintura. Prestem bem atenção, as mãos na cintura, mas os pés estavam acompanhando o ritmo. Um simples e mero estudo de linguagem corporal preveria que aquela cara de insatisfação e de blasé não era real, não expressava o sentimento contido em seu peito. Ele gostava daquela bandinha que fingia tocar Beatles. Quem são os Beatles para eles?! Aquele vocalista com pinta do que na minha época chamávamos de CDF, ele não devia conhecer música alguma que não fosse Twist and Shout.
- A próxima também é dos Beatles – ele disse. “Well, we danced through the night”, dizia. Na verdade, parecia ser o único verso que o panaquinha sabia cantar em inglês, e o Leandro cantava a música toda como se realmente conhecesse Beatles.
- Você não conhece realmente Beatles, certo?
- Mas é claro que sim. Adoro! Você não?
Os besouros, como gostávamos de chamar eu e meu irmão, eram tudo para nós. Eram a melhor banda, são os melhores em toda a minha vida. Eles me mostraram a atitude do bom e velho roque em rou. Eles e Mafalda cresceram comigo. Agora, quem são os Beatles para a geração dos 90 e do 00? Quem são os Beatles, se não forem quem eu sei que são? Que eram. Não, “que são” mesmo.
Depois de ele mostrar seus dotes linguisticos, que (diga-se de passagem) eram bem melhores do que os do vocalista, eis que reparo em uma garotinha, por assim dizer, a olhar o meu rapaz. Ela o olhava, e admirava seus dotes linguísticos, sua expressão blasé e ao mesmo tempo interessadíssima, e sua beleza, é claro. A sua beleza a inspirava o olhar. Franjinha batendo no olho, a ponto de prejudicar a visão. Além da bela franja, o cabelinho curto no pescoço, enroladinho para fora, só nas pontas. Ela era baixa, mas usava salto alto, para ficar mais baixa, obviamente – nenhum homem desiste da idéia de não reparar nas mais baixas que colocam salto estrategicamente para beijar algum pretendente. Ela o olhava e esperava olhar de volta, mas ele estava vidrado, de um jeito desinteressado, na banda medíocre a cantar Beatles mediocremente. Reparei que esse jeito desinteressado é a nova moda entre os novos seguidores do roque em rou.
- Vamos comer lanche de trailer?
- Claro, vamos também morrer de colesterol?
- E ainda pagar por isso! Quanto benefício, meu deus.
Resolvi aceitar, mas deixando claro que não havia-me esquecido do convite que o fiz para tomar vinho comigo. Ele não havia-se esquecido, ainda bem.
Quando saímos do teatro, resolvemos passar em sua casa para buscar uma blusa de frio. Mas não entramos, ele simplesmente não quis mais. Bem típica inconstância de meu amigo. Depois ele disse que serviu de inspiração. Não sei se acredito.
Depois de entupirmos as veias de óleo Liza, fomos finalmente para minha casa; ele cumprira a promessa depois de muito tempo! Na verdade já faz um tempo que o Leandro me deixa de lado para ficar com seu amigo novo, sua prioridade. Ele o chama de luz, desculpe, na verdade é Luz.
- Este vinho não é dos baratos, mas é muito bom também – senti sua cara de decepção.
Aliás, uma ótima qualidade dele é a expressão facial. Sempre me diz tudo o que preciso saber e ele não contaria por delicadeza e por cordialidade.
Depois de ele começar a embananar as palavras, resolvi colocá-lo contra a parede:
- Quem são os Beatles?
- Os Beatles? Porque essa pergunta agora? – ele fez silêncio a favor de que eu esquecesse a pergunta, como não esqueci ele prosseguiu - Bem, os Beatles são uns carinhas aí que tocaram nos anos 60, eu acho. Minha mãe sabe dizer exatamente. Ela adorava dançar ao som deles. Na verdade eu fui descobrir os Beatles além do Twist and Shout – eu sabia que era só isso o que ele conhecia! – aqui em Mariana. Um amigo estava ouvindo uma fita tape deles. Mas quem é que ouve fita tape em 2009? Era 2008 na época, para falar a verdade. Talvez faça mais sentido agora. A questão é que ele estava ouvindo e eu resolvi ouvir. Ouvi, gostei, e hoje eu sou fã!
- Fã?! Quem são os Beatles para você, menino?!
- Esse é do tipo de pergunta para não se responde, ?
Fiz que sim com a cabeça.
- Bem, está bem tarde e amanhã eu gostaria muito de acordar cedo.Vou caminhar com um pessoal em uma trilha aí... Vai ser bem legal, eu espero.
Eu abri a porta e despedimo-nos.
Depois que fechei a porta, liguei o toca-discos e botei um bolachão para tocar. O que é que era? Beatles!
Deixei o humor para o final do texto, caro leitor. Quando abri a porta no começo dessa noite era ele. “Vamos sair?”.
- Vamos! Claro! Vamos ao banco?!
- Na verdade eu estava pensando em um programa mais... interessante. Vamos ao teatro? Ouvi dizer que a peça é ótima!
- Vamos.
Ele me esperava buscar a carteira cantarolando uma música que me lembrava Twist and Shout, mas ele não devia conhecer essa música.
As ruas estavam bem cheias. A praça da cidade nem se fala. Mal posso arriscar contar quantas pessoas estavam presentes naquele show de meia tigela. Nós havíamos acabado de deixar o teatro e resolvemos infiltramo-nos em meio à plateia assídua.

(...)

João Hernesto

21 de julho de 2009

Filosofias acerca da Luz

Mariana, madrugada de vinte e dois do mês de Julho de 2009. Início: 01:01. Término: 01:46.
Gostaria de fazer uma carta grande e vistosa. Uma carta bonita, mas você pode não ler, não gostar e achar baboseira. Vou filosofar um pouco, espero chegar em algum lugar. Honestamente, não sei se você vai ler, não sei se vai gostar. Escrevo só como um mero protótipo de presente para esse dia que é para nós a celebração de um mês de namoro conceituado.
O amor. Já devo-lhe ter falado coisas do tipo. Visto que meu ponto de vista tem mudado bastante, quero deixar bem delimitado minhas crenças hoje. Sendo eu inconstante, elas podem mudar totalmente amanhã. Portanto, está escrito, está comprovado.
O amor. Eu acredito que nós viemos ao mundo com um intuito, o de tornarmo-nos espiritualizados. Ponto. Essa espiritualização (não confundamos espírito - obra etérea e concretizada da Grande Mãe e do Deus Tríplice - de alma - simples passagem de nossa existência minimalista por uma vida dentre muitas que temos. que passar) é atingida através do único sentimento (não estado emocional, o que é bem diferente, a meu ver) que os seres humanos sentem igualmente e de forma intensa homogeneamente: o Amor. Deixo o sentimento em letras maiúsculas a partir de agora em meus escritos com o intuito de santificar esse sentimento. Para mim, esse sentimento capacita-nos eternizar o amor divino. Esse sentimento é a eternidade de qualquer espírito. Ele é o propósito de nossa existência. Ele é o único caminho para nossa espiritualização.
Nós não somos epiderme, tecido ósseo, cartilaginoso, órgãos e sangue. Não somos cérebro, não somos sequer pensantes. Nós temos apenas um espírito que nos convida à busca constante desse Amor. Nós somos almas de um mundo animado e dotado de energia e devemos buscar outras almas. Nós não buscamos corpos físicos, buscamos almas. Buscamos nossos vestígios anteriormente tocados que ficaram em outras passagens pela Terra.
Nós passamos por aqui muitas vezes e, a cada passagem, cativamos almas novas e antigas. Em cada nova passagem, procuramos encontrar essas almas cativadas. Achamos, obviamente. Quando encontramos aquela pessoa que possui um círculo de energia brilhante, nós só achamos explicações em vidas passadas. Não vejo outra explicação que melhor denonime tal sensação. Não vejo outra explicação convincente que não seja supersticiosa.
Caminhei muito e perambulei muito até poder me ver livre de tudo o que já aprendi nessa minha imensa vida para acreditar que nós somos parte de um mesmo mundo. O Anima Mundi só nos é possível e aceitável quando acreditamos no Amor como grande e única virtude que nos é posta. Ele é como um presente dos deuses. Ele é o tudo e o nada. O verdadeiro Alfa e o verdadeiro Ômega. Eu persisti na ideia de simplesmente morrer e me encontrar com Deus para ele dizer que minha vida toda foi baseada numa dicotomia e num maniqueísmo imposto por parâmetros prescritos por alguém de péssimo gosto e de imaginação limitada.
O Amor é a busca. Não há outra palavra. Nós somos ansiosos por alguém que venha-nos completar. Não sei se acredito mais em almas gêmeas e em Outras Partes. Não sei se acredito em divisões espirituais no mundo das ideias ou na Summerland. Acredito no que me é palpável. O Amor me é. Ele é a razão pela qual eu escrevo tudo isso, que provavelmente, caro leitor, diga nada para você. Esse texto não é uma crônica nem é uma carta. Ele é uma organização de meus pensamentos. Eles estão sempre mudando, mas, hoje, resolvi tentar juntar o quebra-cabeças da minha cabeça.
O que eu quero usar como conclusão: essa Luz, eu vejo delimitada quando eu olho para você. Ela passa pela sua cabeça e te contorna o queixo e pescoço. Ela contorna o tronco, membros, e pés. Ele o contorna e me mostra que, não importa a explicação religiosa ou lógica que os homens tentem inventar. Ela é a razão de minha existência hoje. Ela é a minha família, ela é meu destino.
"Eis o segredo que ninguém sabe. Eis a raiz da raiz. O broto do broto, e o céu do céu de uma árvore chamada VIDA. Eis o milagre que mantém as estrelas à distância."
Já cheguei recitar-lhe parte desse poema de Cummings. Escondi, na verdade parte dele: esse trecho que acabei de escrever. Duas razões tive eu: 1) achei que não fosse entender a profundidade dessas expressões aparentemente tolas; 2) não me senti pronto para dizer esse versos que só ousei dizer à minha mãe.
Mas hoje eu senti a sua Luz. Precisamente e sinceramente, não cheguei a notá-la enquanto o tinha em meus braços. Senti sua alma, senti seu espírito, mas não pude identificar a luz. Hoje, quando eu ouvi sua voz rouca ao telefone, eu enxerguei perfeitamente essa Luz. E, lembrando dos momentos em que estive junto de você, sempre vi essa Luz. Só enxerga quem tem olhos. Isso faz muito sentido.
Na verdade, de modo geral, o texto não faz sentido algum. Mas acho que parei de acreditar em sentido, formulei e tenho formulado meu próprio jeito de ver a vida. Meus próprios parâmetros de verdade. Isso para mim é verdade. E poético, não acha?
Eu te amo não diz tudo. Eu te amo é uma expressão inventada pelos poetas para tentar dizer o que é a tal da Luz. Prefiro dizer: hoje, meu amor, você é a minha luz!
(a data como cabeçalho me serve para ler depois e ver quão insano estou sendo nessa noite, ou, entretanto, quão sensato estou tentando ser/parecer)

João Hernesto

15 de julho de 2009

Sentido

Estou em mais uma daquelas dores de conhecimento. Daquelas em que ouvi um simples verso sem sentido algum de Secos e Molhados e senti que deveria escrever. Hoje eu estou ouvindo um álbum chamado Stop Making Sense, de Talking Heads – hoje tentei encontrar a resposta para uma pergunta acerca dessa banda com um amiga.
Essa dor dói gostoso e desesperador. Estou faminto no sentido metafórico e no literal. Eu quero dividir essa insegurança com alguém. Quero olhos para me olharem daquele jeitinho que mãe dá.
Quero ler mais, entretanto sinto muito mais medo do que tinha antes de ler. Quero descobrir este mundo que parecia esperar por minha maturidade. Quero parar e voltar no tempo, no tempo em que eu não acreditava (isso foi há quase um dia). Gostaria de chorar, mas não posso, no sentido de habilidade. Quero que essas músicas não coubessem perfeitamente nesse momento sufocante.
Para começar, eu acordei e aceitei fiz uma proposta por transmissão de pensamento. Tomei um banho demorado - para que pudesse lavar todas as partes de meu corpo, ora ensaboando, ora perfumando e hidratando. Senti-me acordado. Comi bastante para continua a sentir satisfeito depois de quatro horas de trabalho. Senti vontade de alguma substância química que me era clara, e já não é mais.
Senti aquele impulso de procura, como um instinto sexual. Li sobre a religião da oração que fiz ontem, no sentido me ver adaptado em seus ensinamentos. Quanto tesão que senti. Como é bom descobrir e ser descoberto. Como é bom não saber o que encontrar e saber que vai gostar. Cheguei a pensar que não aconteceria esse sentimento de dor de conhecimento em mim.
Teoria do Caos, conhece?
Tudo o que li só me fez sentido aplicado à vida que vivo no momento em que vivi depois de conhecer aquilo, é muito claro. Era como se me dessem óculos super-mágicos através dos quais eu passasse a enxergar o mundo à minha volta – esse mundo que é sempre igualzinho – como um novo mundo.
Primeiro eu senti um aperto no coração porque senti que minha proposta não fora aceita, ou ainda pior, ela tivera sido esquecida. Dizem que o sentimento contrário ao amor é a indiferença. Isso é bem verdade. Porém agarrei-me à esperança da noite, afinal o dia não chegara ao seu fim.
Depois uma certa falta de consideração da parte de meus amigos no sentido de não me ouvirem as felicidades e medo em relação à descoberta. Além disso, aquela falta de paciência e tolerância dos mesmo para comigo. Isso dói não por causa de umas leituras, dói mais por causa delas, obviamente. Senti-me todo observado por estranhos e dilacerado pelas pessoas que mais amo.
Há vinte minutos (antes de começar a escrever este texto), eis que me bate a luz. “Hoje eu começo a estudar magia”, disse eu. Isso me faz contra a parede, é só por isso que eu não ganhei aquele sim que minha proposta estava a esperar. É claro! Maldita verdade. Isso me pareceu doer bem mais que a indiferença. Doeu também o ciúme que senti ao ler coisas que o outro escrevera. Desprezo aliado à traição é uma bosta, assim, no sentido de fezes mesmo...
Agora eu abro a caixa de meu e-mail. E não é que vejo três (não apenas um) e-mails?! Malditos que não me deixavam em paz o dia todo.
Agora eu estou feliz. Vou ler mais! Acenderei uma vela e mais outro incenso - dessa vez não um para calmaria, para proteção.
Hoje eu me descubro um pouco mais wiccan, e, obviamente, mais apaixonado. No sentido de mudança. No sentido do sentido.

Leandro Augusto

13 de julho de 2009

A Pele do Meu Amor

De todas as coisas que me são agradáveis assistir, a que me é favorita é ver meu amor dormindo. Gosto de sentir seu pensamento longe e condensado em qualquer sonho alheio a qualquer coisa que eu estiver pensando. Gosto de sentir o impacto de sua respiração em meu cobertor.
Gosto de ver o seu rosto. Suas linhas sem expressão. Delinear e dedilhar sua face e o meu amor nem percebe, por estar longe desse quarto. Eu gosto de ver o jeito com que sua testa constrói leves entradas e iniciam o coro cabeludo. Gosto do nariz do meu amor. Eu gosto muito de observar sua boca toda perfeita: carnuda, desenhada, delimitada pelo rosto e dona de um beijo que ninguém há de imitar. Eu gosto do seu beijo. Gosto de ver as suas bochechas e, então, reparar no formato que seu maxilar faz na virada do queixo até as orelhas. Gosto dos seus olhos um pouco puxados.
Gosto de manter na mente todas essas características para me lembrar enquanto o meu amor estiver acordado. Gosto de analisar suas expressões faciais. Por exemplo, me é incrível o fato de seus olhos conseguirem sorrir de um jeito puro e, questão de três minutos depois, sorrirem um sorriso safado de quem implora por mais paixão carnal. Gosto quando os olhos do meu amor ficam sérios. Gosto quando deixa de sorrir para fazer cara de amante. O melhor amante de todos. O sexo mais extravagante e ponderado. O sexo mais gostoso que eu já fiz.
Gosto, ainda, de sentir sua pele. Gosto de reparar que ela é macia e áspera ao mesmo tempo. Digo no sentido literal, nada de poeticidade. Suas mãos são mãos de donzela de contos de fadas. Suas mãos são macias, e eu me sinto a tocar nuvem de lá do céu. Seus braços são ásperos. Braços de homem brusco. Gosto do fato de serem ásperos. Gosto de sentir aspereza em seu toque. Gosto de sentir seus pelos a irem de encontro aos meus. Gosto de sentir seu tórax largo e quente. Ele me abraça e me faz queimar. Ele me abraça e faz o meu corpo refém. Meu corpo é refém de seu sexo. Meus lábios são refém de seus beijos. Fez-me refém o meu amor incondicional.
O meu amor me faz querer usar palavras bonitas, ele me faz mais parnasiano do que desejo ser. Faz-me brincar de ser poeta. Faz-me brincar de ser gente grande. Brincar de ser criança.
O que eu mais gosto no meu amor é a sua capacidade de não esconder o que sente. E demonstra tudo isso da forma mais clara. Demonstra nos olhos, nos lábios, na sobrancelha. Demonstra nos braços, nas pernas, no tórax. Demonstra na alma. Demonstra na alma quando sorri. Demonstra na alma quando me olha e para de rir com os olhos. Demonstra quando sorri apaixonado nos olhos. Quando inventa moda e sua língua diz eu te amo em idiomas diferentes. Quando sua pele arrepia e arrepia a minha também. Quando a pele queima e quando ela morna.
Eu reservo o meu coração para esse amor. Eu reservo palavras baratas e metáforas pobres. Não reservo rimas, faço a ritma de outras coisas. Coisas mais materiais. Reservo meus lábios, minha língua e meus dentes. Reservo meus olhos, meus óculos, meus ouvidos. Reservo meus braços, pernas e pés. Reservo minhas mãos, essencialmente. Reservo minha alma. Essas são minhas oferendas. Essas são tuas prerrogativas. Eu me entrego para ti tudo o que eu tenho de mais palpável como prova de meu amor. Tu aceitas te casar comigo hoje?

João Hernesto

6 de julho de 2009

Soft

Nós nos beijamos e senti aquela sensação que eu só costumo sentir com ele. Ficamos prontos para dormir. Eu o abracei com meus braços aconchegantes e ele respondeu com uma pele quente como tarde de verão. Uma pele que se mostrava acetinada e áspera ao mesmo tempo.
Imaginei um bom adjetivo que pudesse descrever tal toque. Melhor que macio é “soft”. Além de sua face semântica perfeitamente adaptada à esse sentimento que sinto, destaco também uma simples filosofia fonológica. Três consoantes é o som que ouvimos: primeiro o /s/ demonstra sua chegada de modo predominante e permanente; depois há o /f/ que parece soprar para longe como o vento o faz em dias como o de hoje; e, por último, encontra-se o /t/ que quebra de um jeito delicado e brusco essa palavra que me parece tão afetiva, esse som também me lembra um solo de bateria – a última das batidas de uma música (é um /ts/ breve). Além desse encontro consonantal, não posso deixar de notar e anotar o som completamente inglês de /o/, esse, que é o mesmo de “coffe”, me é precioso pelo fato de não ser nenhum som vocálico encontrado em meu idioma; ele é a razão pela qual eu apenas encontrei um adjetivo na língua inglesa e não na portuguesa.
Análises fonéticas à parte, eu senti o corpo estremecer com esse romance-antítese. É como um velho poeta dizia: o contentamento descontente. Eu sentia-me explodindo, queimando numa sintonia tão perfeita. Membros entrelaçados em um só corpo. Dois corpos se tocavam e tocavam também as almas. “Eu posso ver sua alma”, ele disse. Dito isso, eis que sinto uma mão a tocá-la. Ele me perfurou o corpo a ponto de tocar a alma. Ele tocou meu íntimo.
Ele dizia palavras poéticas e eu me continha em olhares, em beijos, em carícias. As carícias... Ah, as carícias... Elas não eram um simples tesão, elas eram gozo misturado a um amor que ninguém jamais há de descrever. Poeta algum. João Hernesto algum. Apaixonado do século XXI algum.
Hoje eu dormi e pude sentir sua respiração, pude sentir seus gemidos e seus sussurros. Eu hoje senti uma vontade de ficar na cama o dia todo, só para me dar o prazer de ver aquele bocejo de anjo outras vezes.
Eu hoje sinto meus lábios doendo de um jeito que sente saudade. Eu hoje quero aquilo de novo.
Quero fugir mais uma vez. Quero casar com você todos os dias da minha vida. Mas contento-me com a eternidade desses momentos
Ilusão preciosa a minha.

Leandro Augusto

2 de julho de 2009

The Corrs

Só se for para não voltar mais. Nesse caso eu fujo, para um lugar que ninguém conheça, que só eu e você vivamos. Um lugar que nós possamos nos amar com a lua para assistir. A nossa casa de praia, ao invés de república estudantil. O nosso lar. O nosso pecado terção. O nosso segredo obsceno, ao invés de meigo.
Eu fujo, sim, se você me prometer que não me vai permitir gostar desse tanto de mais ninguém. Se você prometer me amar e arder sempre que nossos olhos encontrarem uns com os outros. Se prometer, ainda, que vai me ensinar a ser assim, como você. Quero a perfeição também. Quero a angelicalidade.
Fugiríamos. Se você continuar a cantar e recitar poemas. Se você desenhar meu rosto, para o caso de a morte nos separar, aí você vai me ter sempre que quiser desenhar. Só fujo se você me estabelecer critérios para lhe amar. Se você me segurar pelo pé se eu resolver recusar nalgum dia minha felicidade.
Eu quero fugir com você.
Sempre que nos encontrarmos, seremos só eu e você. Nesses momentos nós seremos únicos e fugiremos. Seremos amantes e casados. Nós seremos namorados e amigos. Seremos cúmplices de um crime. Seremos reféns de rimas poéticas e caóticas. Seremos reféns, acima de tudo, desse amor arrebatador.
Eu fujo, obviamente!

Leandro Augusto

29 de junho de 2009

Ao Apaixonado do séc. XXI

Desculpe se eu não sei expressar todos esses sentimentos que ebulem em mim. Eu queria tanto poder dizer o quanto eu estou nervoso em saber que estou prestes a te ver, que eu vou te encontrar quando eu dormir. Você vai poder dormir comigo. Eu vou assistir sua respiração. Eu vou assistir o movimento (que deve ser pélvico) do seu diafragma inspirando e aspirando leve e devagarmente o ar que eu tenho o prazer de dividir contigo. Assistirei a cada milímetro cúbico de oxigênio que sua narina puxará e reverterá em gás carbônico. Eu vou-te ver respirando de um jeito lindo. Eu vou ter o prazer de te ter, ainda que em meus sonhos.
Por isso eu me contenho nesses chocolates, que me lembram seus lábios chupando os meus. Contemplo qualquer memória que minha mente ainda guarde das suas expressões de apaixonado que a noite de ontem guarda.
Desculpe se não consigo ser poeta. Desculpe se preciso buscar líricas de outros autores, melodias que não me foram cantadas. Desculpe se eu não te ofereço a palavra mais bonita do mundo, mas eu simplesmente duvido que exista qualquer combinação de letras que soe mais bonito que o seu riso. Eu duvido que eu deixe de buscar seus braços fortes e suas pernas de moço grande. Eu não queria parar com isso. Eu queria isso para sempre.
Mas eu me pego admirando o seu estilo reiterado de escrita, e me sinto satisfeito. Tudo o que vem de você me é lindo. Qualquer aspecto de sua magnífica forma de cantarolar me é perfeito. A sua memória me é surpreendente. Sinto-me feliz com o som de guitarras e baterias de um roque caótico; tendo em mãos a carta que meu nobre príncipe trouxe já me é o bastante.
Desculpe se eu não sou do gênero sexual que sua mãe pediu a Deus. Desculpe se eu não caibo em sua religião, ou se você não pediu a Deus por mim. O meu deus me disse ainda esses dias: “Eu aprovo”. Para mim isso basta. Eu posso cometer o maior dos crimes nesse mundo de seres humanos, é porque eu sinto minha alma apurada quando você está comigo. Eu sinto que o seu abraço não é um abraço corpóreo, é um abraço entre vidas pretéritas. É um abraço daqueles que nós ficamos a vida toda esperando, e, quando o temos, nossa vida sente vontade de morrer. Eu posso morrer enquanto estou com você, porque eu pareço tocar o céu. Meu espírito brilha e grita enquanto implora que eu deixe de pensar mundanamente e humanamente.
Eu vou me ver sempre querendo ser flagrado feliz por obter um “Amo-te” escrito por mãos que me tocam e tornam-se responsáveis por arrepios consecutivos. Mãos, essas, que me fazem queimar e que me fazem perguntar “Por que eu fui o único a ser escolhido para ganhar presente de tal porte?”
Desculpe a minha léxico livre neo-linguístico e minha estilística. Palavras passam pela cabeça e qualquer estilo ou ortografia arbitrária não é o bastante para dizer que eu descubro o significado da minha vida toda a cada 10 minutos que eu me encontro com você. Porque eu sou o seu príncipe e você é o meu príncipe. Porque eu sou o seu letrando e você é o meu economista. Porque você é a única droga que meu corpo é capaz de aceitar. Porque você é meu único namorado. E porque eu simplesmente não consigo achar conclusão alguma para tamanha tolice.
Tolo eu sou.

Leandro Augusto

23 de junho de 2009

Blue Skies Watching at All

Hoje, procurando por alguma música com a qual sonhei, encontrei (de novo) você. Eu não sei de onde eu tirei você de lá, mas considerando o fato de que absolutamente tudo o que eu faço me lembra algo seu, isso é bem normal...
A questão é que existem quatro paredes. Apenas quatro paredes, e isso é muito. Ela estão nos vendo. Elas conseguem ver tudo o que fazemos. Ninguém vai saber tudo, ela vão.
Esse quarto velho e mofado, com algumas coisas que servem para se viver (cama, guardarroupa, e outras coisas comuns em um quarto comum) e também algumas maluquices como o incensário, o Juca pendurado como móbile, ou ainda uma boina pendurada na porta.
Coisas estranhas à parte, esse quarto e testemunha de todo beijo, toda carícia, todo amor que nasceu em nós tão de repente.
Essas paredes, esses móveis, esses objetos meticulosamente colocados vão sempre guardar nosso segredo, ainda que nós vacilemos em contar para alguém. Nenhuma verdade é tão completa perto da verdade que os olhos de todos esses itens sabem.
Eu quero que eles saibam de mais, quero que eles me ouçam falar: Hoje eu te amo com todo o meu coração.
Mais uma meia hora e eles podem ouvir. Espero por você ansioso.

Leandro Augusto

22 de junho de 2009

Os amores e seus Outonos

Hoje eu estou namorando!
Que alegria...
Não tem explicação vinda da minha pessoa para tal sentimento. Não sou poeta o bastante. Já disse que meu carma é a consonância, que era a única coisa que eu não conseguia escrever, sendo eu poeta. Na verdade eu menti. Eu não sei escrever o amor. Tento. Às vezes eu chego quase lá, mas na maioria das vezes eu sou apenas um adolescente que não sabe nada de nada. O Leandro Augusto é a parte que sente e não sabe escrever. O João Hernesto é o sábio da história.
Eu não quero fazer promessas, porque eu não o sei fazer. Não sei fazer música melódicas e melodias musicais. Só tento transmitir através de gestos ou de sorrisos o que eu sinto. Eu o consigo. Não aprendi a disfarçar, outro carma meu.
Já tentei falar das borboletas, da deitada na cama e até da escapulida do “Eu Te Amo”.
Eu hoje ouvi “Idem” e enfezei. Depois eu ouvi “Amo Você”. Que bela frase! Vinda de um coração que faz parte do meu.
O meu coração já era teu lar bem antes do pedido.
O meu coração é a primavera, ele desperta de seu sono profundo poucas vezes, mas quando desperta é contagioso, todos o invejam, todos o querem fazer: ser o mais bonito da região. É pela primavera que os dois pólos do planeta brigam, enquanto um tem a chance de ser mais bonito que o outro, seu companheiro é seu contrário, pobre dele, só consegue ser outono. Os pólos não são iguais, nenhum amor é igual. Todos os amores que senti estão apenas invejando esse de agora, por ser mais bonito e mais vivo que eles. Eles querem despertar, mas não podem por serem outono em suas terras.
Ta aí uma coisa que os grandes poetas inventaram para escrever o amor. É tão mais simples metaforizar, é mais concreto – apesar de uma metáfora não ser baseada em nem um tiquinho de concretude. Metaforizar é meu meio de transformar sentimento em palavras.
Ideias eu já sei. Sentimentos, eu me proponho a aprender seu bê-á-bá.

Leandro Augusto

O Somente Sábio

Hoje eu fiquei sabendo de forma um tanto histérica que o amor chegou para meu amigo. Não gostei, não vou mentir. Na verdade eu fiquei até feliz, mas eu gostaria que ele sentisse algo parecido por mim.
Ele falou sobre borboletas no estômago e sobre deitadas na cama. De um modo geral, amor é isso mesmo.
Hoje ele está namorando com alguém com quem ele está junto há um tempo, e eu nem sabia de nada. Ele me contou foi hoje. Ele não quis me magoar. Magoou-me. Ele quis me poupar. Não poupou-me.
Hoje vou fazer de tudo para não pensar. Hoje o João Hernesto é ninguém que não seja Leandro Augusto.
João Hernesto não sabe falar sobre amor. João Hernesto é a parte sábia dele, quem sente é ele.
Vou ficar no meu canto e esperar que ao menos a migalha final seja minha.

João Hernesto