Passei na frente do bar do André, estava indo levar as cachorras. Estava bem cheio e queria só voltar para casa e te contar a ideia de ir para lá. É domingo, amanhã volto a trabalhar, seria muito bom deixar pra mais tarde a ansiedade de segunda-feira. Eu sinto sua falta, e agora parece que dói ainda mais. A rotina de iniciar uma semana, não ter você para ficar de depressão no sofá vendo Fantástico porque você precisa mostrar para sua cabeça que é domingo.
Amanhã eu vou fazer um café só pra mim, vou acordar pelo horário que eu precisar (ou minha mente me permitir). Eu sentirei falta de você ainda mais. Acordar com despertador, no horário mais tarde, no meu horário. Não fazer seu pão e te dar seu café pra você ir trabalhar. Isso me doerá demais. Eu não fiz mais pão na chapa. Do jeitinho que você gosta. Com bastante manteiga, torradinho na chapa. Quase nada torrado do lado da casca. E queijo derretido com crostinha. E colocar no jornal da manhã e tomar café com você enquanto acendo seus cigarros do dia. Três no total.
Nesses momentos eu não consigo mais me lembrar por que as coisas são tão complicadas. Não consigo mais me lembrar de não-monogamia. Não consigo mais me lembrar de armário, de não me assumir para sua família. Não consigo me lembrar de sigilo e do quanto eu quero só viver minha vida aberta, escancarada porque nós não devemos nada a ninguém.
Nós temos um ao outro, Há 14 anos. Você esteve comigo em tudo o que aconteceu na minha vida desde então. Você está no meu álbum de formatura, com aqueles seus olhos imensos assustados. Confiante, mas em pânico. Eu te conheço do último fio de cabelo até as unhas dos pés. Eu amo você do jeito que você é. Eu prefiro morrer a ter que viver minha vida sem você.